
Lembro-me ainda de um tempo não muito distante e que agora parece já ter passado há uma eternidade. Um tempo que uma simpática senhora dizia com toda alegria do mundo e sua empolgação um trecho do Poema "Violões que choram..." ( do Original:
Les Sanglots dos Violons)
"Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas."
E tudo que essa senhora gostaria, era passar alguma parte de seu conhecimento, mostrar aos seus pupilos que a arte de escrever poderia ser útil e prazerosa se todos tivéssemos uma boa vontade e soubéssemos ler o que o autor gostaria de nos dizer. Mas nossas mentes já tão fragilizadas, encarceradas em uma rotina quase que cruel, devido ao tão temido e odiado vestibular, já não eram capazes de entender tais sutilezas. Mas mesmo assim aquela simpática senhora continuava a dar a sua aula, todos os dias, com o mesmo sorriso no rosto, embora muitas vezes alguns certos elementos em aula não fossem como o planejado para o seu dia, porém necessários em uma sala de aula para torná-la comum, e sua fisionomia chegue ao fim do dia com um leve tom de cansaço, leve tom, perceptível apenas com um olhar crítico e ligeiro, pois quando percebia concentrava-se em manter seu rosto com um amável sorriso se preparando para mais um dia de trabalho. Pessoas assim como essa senhora são difíceis de se encontrar, pessoas que amam o que fazem e tem prazer em passar adiante, pessoas que passam por nós e somente quando saem de nosso convívio é que notamos que fazem falta e o quão importantes elas nos foram.