
Lembro-me ainda de um tempo não muito distante e que agora parece já ter passado há uma eternidade. Um tempo que uma simpática senhora dizia com toda alegria do mundo e sua empolgação um trecho do Poema "Violões que choram..." ( do Original: Les Sanglots dos Violons)
"Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas."
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas."
E tudo que essa senhora gostaria, era passar alguma parte de seu conhecimento, mostrar aos seus pupilos que a arte de escrever poderia ser útil e prazerosa se todos tivéssemos uma boa vontade e soubéssemos ler o que o autor gostaria de nos dizer. Mas nossas mentes já tão fragilizadas, encarceradas em uma rotina quase que cruel, devido ao tão temido e odiado vestibular, já não eram capazes de entender tais sutilezas. Mas mesmo assim aquela simpática senhora continuava a dar a sua aula, todos os dias, com o mesmo sorriso no rosto, embora muitas vezes alguns certos elementos em aula não fossem como o planejado para o seu dia, porém necessários em uma sala de aula para torná-la comum, e sua fisionomia chegue ao fim do dia com um leve tom de cansaço, leve tom, perceptível apenas com um olhar crítico e ligeiro, pois quando percebia concentrava-se em manter seu rosto com um amável sorriso se preparando para mais um dia de trabalho. Pessoas assim como essa senhora são difíceis de se encontrar, pessoas que amam o que fazem e tem prazer em passar adiante, pessoas que passam por nós e somente quando saem de nosso convívio é que notamos que fazem falta e o quão importantes elas nos foram.
Bem, ela me lembra o oposto do professor que Clarice Lispector descreve em um dos seus livros. Onde a aluna era uma peste de aluna, mas não porque não gostava da aula do professor, mas na verdade porque o amava, não como homem, mas como pessoa, e a incomodava ver um homem daquele de ombros tão caidos... por mais que doesse nela ser objeto de odio do professor quando ela o amava, ela mesmo assim continuava a bagunçar a aula, na esperança de que o professor de ombros caidos, tomasse uma atitude, ficasse ereto e soubesse impor como o ótimo professor que ele é ( ou deveria ser), assim todos o veriam como ela o vê e o respeitaria...
ResponderExcluirDe fato é raro pessoas que gostam de sua profissão, o mundo teria melhores profissionais e pessoas mais felizes se as pessoas procurasse fazer o que gostar com amor, carinho e esforço. Professores assim, apaludo de pé
Este texto foi feito em homenagem à uma das pessoas que me inspiraram a criar este Blog e começar a escrever. Uma das pessoas que me ensinaram a escrever o que eu penso e sinto de forma mais clara e direta. Obrigado por ter me ensinado tanto, embora tenhamos tido tão pouco tempo de convívio.
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