segunda-feira, 10 de maio de 2010

"vozes veladas, veludosas vozes volúpias dos violões, vozes veladas...."


Lembro-me ainda de um tempo não muito distante e que agora parece já ter passado há uma eternidade. Um tempo que uma simpática senhora dizia com toda alegria do mundo e sua empolgação um trecho do Poema "Violões que choram..." ( do Original: Les Sanglots dos Violons)
"Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas."
E tudo que essa senhora gostaria, era passar alguma parte de seu conhecimento, mostrar aos seus pupilos que a arte de escrever poderia ser útil e prazerosa se todos tivéssemos uma boa vontade e soubéssemos ler o que o autor gostaria de nos dizer. Mas nossas mentes já tão fragilizadas, encarceradas em uma rotina quase que cruel, devido ao tão temido e odiado vestibular, já não eram capazes de entender tais sutilezas. Mas mesmo assim aquela simpática senhora continuava a dar a sua aula, todos os dias, com o mesmo sorriso no rosto, embora muitas vezes alguns certos elementos em aula não fossem como o planejado para o seu dia, porém necessários em uma sala de aula para torná-la comum, e sua fisionomia chegue ao fim do dia com um leve tom de cansaço, leve tom, perceptível apenas com um olhar crítico e ligeiro, pois quando percebia concentrava-se em manter seu rosto com um amável sorriso se preparando para mais um dia de trabalho. Pessoas assim como essa senhora são difíceis de se encontrar, pessoas que amam o que fazem e tem prazer em passar adiante, pessoas que passam por nós e somente quando saem de nosso convívio é que notamos que fazem falta e o quão importantes elas nos foram.

2 comentários:

  1. Bem, ela me lembra o oposto do professor que Clarice Lispector descreve em um dos seus livros. Onde a aluna era uma peste de aluna, mas não porque não gostava da aula do professor, mas na verdade porque o amava, não como homem, mas como pessoa, e a incomodava ver um homem daquele de ombros tão caidos... por mais que doesse nela ser objeto de odio do professor quando ela o amava, ela mesmo assim continuava a bagunçar a aula, na esperança de que o professor de ombros caidos, tomasse uma atitude, ficasse ereto e soubesse impor como o ótimo professor que ele é ( ou deveria ser), assim todos o veriam como ela o vê e o respeitaria...
    De fato é raro pessoas que gostam de sua profissão, o mundo teria melhores profissionais e pessoas mais felizes se as pessoas procurasse fazer o que gostar com amor, carinho e esforço. Professores assim, apaludo de pé

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  2. Este texto foi feito em homenagem à uma das pessoas que me inspiraram a criar este Blog e começar a escrever. Uma das pessoas que me ensinaram a escrever o que eu penso e sinto de forma mais clara e direta. Obrigado por ter me ensinado tanto, embora tenhamos tido tão pouco tempo de convívio.

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